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CBRE vê plena recuperação em escritório em São Paulo

Por Chiara Quintão | De São Paulo

O mercado paulistano de escritórios está em plena recuperação desde as eleições, com queda da oferta e recuperação de preços de locação em algumas regiões da cidade, na avaliação do presidente da consultoria CBRE, Walter Cardoso. De acordo com o executivo, desde outubro, os preços de aluguel fechados na avenida Faria Lima – endereço mais nobre de escritórios comerciais de São Paulo – tiveram alta entre 10% e 20%, enquanto as operações concretizadas na avenida Paulista ficaram de 10% a 15% mais caras, e as da Marginal Pinheiros, entre 5% e 10% mais elevadas.

No ano passado, a CBRE estimava que a venda de escritórios poderia chegar a R$ 4 bilhões na cidade de São Paulo (incluindo o mercado de Alphaville), mas o total fechado ficou em torno de R$ 2 bilhões. Segundo Cardoso, parte dos negócios foi postergada pelas incertezas políticas, e os outros R$ 2 bilhões foram negociados no primeiro trimestre deste ano. A projeção para 2019 é de pelo menos R$ 4 bilhões fechados. “Deve haver cerca de R$ 7 bilhões de ativos em negociação”, afirma o presidente da consultoria.

Levantamento da CBRE aponta que, no mercado geral de escritórios, houve entrada de novo estoque, na cidade de São Paulo, de apenas 5.800 metros quadrados no primeiro trimestre, volume muito inferior aos 154.500 metros quadrados do mesmo período de 2018. No acumulado do ano passado, foram entregues 280.500 metros quadrados.

No trimestre, houve absorção bruta de 189.300 metros quadrados e absorção líquida – diferença entre as áreas contratadas e devolvidas – de 66.200 metros quadrados. A taxa de vacância, que era de 18,6% no fim de 2018, caiu para 17,7% em março.

Considerando-se somente o mercado paulistano de escritórios de padrão triple A, não houve nenhuma entrega de janeiro a março, ante a entrada de 75.500 metros quadrados no primeiro trimestre do ano passado. A absorção bruta chegou a 34.200 metros quadrados, e a absorção líquida ficou em 26.600 metros quadrados. No fim de março, a taxa de vacância era de 14,9%, abaixo dos 16,6% registrados no fim do ano passado. “No segmento de escritórios triple A, a recuperação é muito mais rápida”, ressalta Cardoso.

Segundo o executivo, os melhores prédios da capital paulista já estão ocupados, e apenas o Birmann 32 (incorporado pela FLPP – Faria Lima Prime Properties na avenida Faria Lima) e as torres corporativas desenvolvidas pela Hemisfério Sul Investimentos (HSI bir) no empreendimento Parque da Cidade (na zona Sul de São Paulo) entrarão no mercado nos próximos 24 meses.

Em um cenário de redução de novos estoques, há expectativa de continuidade da queda da vacância e de potencial de alta dos preços de locação e, consequentemente, de venda.

De acordo com o presidente da CBRE, investidores internacionais que ainda não estão no Brasil avaliam neste momento se o potencial de valorização de escritórios compensa o risco de começar a atuar no país sem que a reforma da Previdência tenha sido aprovada. “As notícias do Brasil ainda não melhoraram lá fora. A onda otimista pós-eleição precisa ser concretizada não só por meio da a reforma da Previdência, mas também da correção do déficit fiscal e da reforma tributária”, afirma Cardoso.

O executivo ressalta que “o Brasil está muito barato”. “Os aluguéis caíram muito, e o real está desvalorizado. O momento é de recuperação do mercado”, destaca o executivo.

Em 2018, empresas dos setores de tecnologia e informática, financeiro e coworking foram as principais tomadoras de espaços de escritórios, de acordo com a consultoria, com destaque para Uber, Facebook, Loggi, Caixa Econômica Federal, BMG, WeWork e Regus.

No Rio de Janeiro, a absorção líquida de escritórios voltou a ser positiva em 2018, ou seja, o volume de contratações superou o de devoluções de espaços em 30.900 metros quadrados, segundo levantamento da CBRE. “A virada ocorreu no último trimestre do ano”, diz Cardoso.

As maiores contratações de áreas, no mercado carioca, foram feitas pelo setor financeiro (13%), seguros (11%) e pelo segmento de advogados/contabilidade (9%) no ano passado. Entre as empresas, os destaques foram Caixa Econômica Federal, Banco BBM, Bradesco Seguros, BMA, Mayer-Brown e Licks Attoneys.

Fonte: www.valor.com.br

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