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Sustentabilidade: o impacto dos carros elétricos na infraestrutura das cidades

O ato de abastecer em um posto de combustíveis, comum hoje em dia, pode estar com os dias contados. Há anos se fala sobre a popularização dos veículos elétricos, apontados como o futuro da indústria automobilística. Porém, este futuro parece estar mais próximo, considerando os recentes anúncios de grandes fabricantes de automóveis sobre seus planos de reduzir a produção de modelos à gasolina e aumentar a de veículos elétricos.

De acordo com o relatório “From Gas to Grid“, do Rocky Mountain Institute (RMI), uma organização independente e sem fins lucrativos que busca transformar o uso global de energia, as principais barreiras para o aumento da frota de veículos elétricos são os altos preços, a limitação de modelos, a baixa autonomia para percorrer grandes distâncias, e a escassez de infraestrutura para recarregar as baterias.

Empresas como a americana ChargePoint, que desenham e desenvolvem o hardware e o software para o carregamento de veículos elétricos, estão saindo na frente, enquanto os municípios continuam pensando em formas de incorporar as estações de recarga à infraestrutura urbana. Foram criados pela ChargePoint mais de 41 mil pontos de recarga, sendo que seu modelo de negócio prevê que cada estação seja comprada individualmente, seja para uso residencial, de um varejista (instalado no estacionamento), ou de uma empresa para uso dos funcionários. “Ao instalar pontos de recarga, as lojas atraem novos clientes e criam um fluxo constante de compradores, com maior capacidade de gastos, enquanto os empregadores atraem e retêm os talentos, oferecendo este benefício”, observa Darryll Harrison, diretor de comunicação global da ChargePoint.

À medida que o número de veículos elétricos em circulação cresce (as vendas aumentaram 45% entre julho de 2016 a julho de 2017), as estações de recarga se tornarão ainda mais importantes. E, considerando a possível proibição da venda de novos veículos à gasolina e a diesel, os postos de combustíveis podem eventualmente sumir do mapa. Nos Estados Unidos, o governador da Califórnia, Jerry Brown, emitiu uma ordem executiva que ajudará a colocar 1,5 milhão de veículos com emissão zero nas ruas até 2025. Em todo o mundo, diferentes países estão avançando nesta direção.

A França e o Reino Unido proibirão a venda de novos veículos à gasolina e a diesel até 2040. A proibição proposta pela Noruega entrará em vigor até 2025. A Índia planeja vender apenas veículos elétricos até 2030. E mesmo a China, onde cerca de 28 milhões de veículos foram vendidos no ano passado e apenas 1% deles era elétrico, também está trabalhando em uma proibição.

“Acreditamos que as cidades ao redor do mundo estão formando uma ‘tempestade perfeita’, que impulsiona a adoção de veículos elétricos. À medida que elas buscam maneiras inovadoras de reduzir as emissões, estão criando políticas públicas que incentivam meios de transporte mais limpos”, afirma Harrison. E, à medida que a onda de energia limpa se espalha pela indústria automobilística, outro movimento está ganhando impulso: as casas com baterias. Mas isso é assunto para outro artigo.

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