ArquiteturaTecnologia

Novos estádios esportivos priorizam acústica em seus projetos

Por Sam Shillet

Pode ser o som do motor de um jato, as explosões de fogos de artifício ou o ruído da manhã de um caminhão de lixo: o fato é que barulhos altos e grandes cidades andam juntos. Mas você sabia que os níveis de ruído mais altos do mundo podem ser encontrados nos estádios de esportes? Na verdade, hoje os estádios esportivos são meticulosamente projetados para maximizar o grito das torcidas. Isso é especialmente verdadeiro em cidades como Seattle e Kansas City, no Missouri, Estados Unidos.

O estádio dos Seattle Seahawks, o CenturyLink Field, e o Arrowhead Stadium, sede dos Kansas City Chiefs, são os mais barulhentos do mundo. O Guinness, livro dos recordes, registrou 137,6 decibéis em um jogo dos Seahawks em dezembro de 2013. Para não ficar para trás, em setembro de 2014, o Arrowhead Stadium registrou um 142,4 decibéis. Para referência, um trovão atinge cerca de 120 decibéis, e uma plataforma de porta-aviões cheia de jatos chega a 140. A ruptura do tímpano ocorre em 150 decibéis.

Segundo Bruce Miller, arquiteto sênior e diretor sênior da Populous, a próxima onda no desenvolvimento da tecnologia acústica de estádios está acontecendo no futebol. Seu foco atual é o Major League Soccer – MLS, onde os fãs estão começando a criar uma atmosfera mais autêntica. Os estádios da National Football League – NFL ao ar livre continuam a amplificar o som e a música através de alto-falantes. Já os novos estádios da MLS, específicos para o futebol, utilizam a tecnologia estrutural mais do que qualquer outra liga esportiva americana.

O Orlando City Stadium, que abriu este ano, é conhecido por ter uma cobertura de alumínio (que reflete o som melhor do que o concreto), uma seção permanente e um telhado que faz tudo para projetar um som extremamente alto para a sua torcida. O próximo projeto de Miller será a nova sede do Minnesota United, Allianz Field, que está programado para inaugurar em 2018. Terá a combinação perfeita de uma cobertura de alumínio, um telhado e uma tecnologia inovadora chamada “complete skin” ao redor do estádio, o que ajudará a refletir o som de volta ao campo.

A acústica nos estádios brasileiros

No Brasil, temos alguns exemplos de aplicação de tecnologias acústicas em estádios, como o Arena Corinthians, também conhecido como Itaquerão. Projetado para produzir uma sensação sonora com o dobro da intensidade do Pacaembú, teve instaladas quatro camadas na cobertura: uma para refletir o som de volta ao estádio, e três para evitar que o barulho saísse. O ápice sonoro estava previsto em 113 decibéis e, como resultado, a sensação sonora é de estádio cheio mesmo quando o público é menor.

Em 2011 foi a vez do Maracanã modernizar seu sistema de sonorização. Apesar de não fazer nenhuma mudança estrutural, foram instalados 3.940 novos alto-falantes com recursos para controle de volume por área. O objetivo era acabar com os problemas de acústica que o acompanham desde a inauguração. Em 2014, o estádio também ganhou uma nova cobertura para a Copa do Mundo.

O Arena Allianz Parque, por se encontrar em uma zona mista, tem um limite legal de 65 decibéis para o som que sai do estádio. Para potencializar o som interno e reduzir o barulho externo, foram instalados 17.500 metros quadrados de cobertura metálica termoacústica com telhas zipadas cônicas, mesmo sistema utilizado para a construção da nova Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

Leia a matéria completa na Blueprint CBRE 

Share:

Deixar uma resposta