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Como os robôs estão mudando os armazéns logísticos

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A aplicação da tecnologia robótica está se tornando um meio popular entre os fabricantes e lojistas para lidar com o aumento da demanda e, ao mesmo tempo, manter os custos de mão-de-obra baixos.

Os robôs industriais já estão causando impacto na economia global. As vendas mundiais desses robôs chegaram a 248 mil unidades em 2015, de acordo com a Federação Internacional de Robótica (IFR), e cerca de 2,3 milhões de unidades serão implantadas nas fábricas em 2018. A Ásia está experimentando um “boom robótico” com a China representando sozinha 69% do total do mercado de robôs em 2015, de acordo com o IFR. Os Estados Unidos e o México também estão acelerando seu investimento em tecnologia robótica a medida que a automação se torna cada vez mais crítica para o espaço logístico.

“Quando você olha para a logística, distribuição e desempenho industrial, tudo está se movendo na direção de uma operação mais especializada”, diz David Egan, chefe de pesquisa industrial da Região Américas da CBRE. “É por isso que estamos vendo um aumento no uso da automatização e dos sistemas computadorizados, e o movimento nessa direção vai continuar”, acrescenta.

Mais automação requer economia de escala, o que inevitavelmente impactará a demanda por espaço de armazém.

“Isso pode colocar mais pressão sobre os armazéns para se tornarem maiores, com menos lugares e com redes logísticas mais enxutas”, diz Dennis Yeo, diretor regional de serviços industriais e logísticos da Ásia da CBRE, em um relatório recente da CBRE sobre como a automação está transformando o mercado imobiliário. 

Um armazém construído para automação

Automatizar o espaço do armazém trará uma mudança na forma como as instalações de logística são construídas e mantidas, observa a o relatório da CBRE. Isso significa adicionar recursos que comportem a tecnologia avançada, melhorar a infraestrutura de TI e incorporar novos programas de software que provavelmente serão interconectados em todo o espaço, mas fazer isso exigirá um aumento na capacidade de energia.

“Ter energia suficiente é uma questão mais importante do que você imagina”, diz Egan. A modernização das instalações existentes para aumentar a carga de energia não é fácil nem barata, o que significa que os desenvolvedores provavelmente terão que construir novos espaços de armazenamento. 

Os espaços em si podem ser desenvolvidos em multi-camadas que podem ser mais altas do que o normal, especialmente em mercados onde os terrenos são difíceis de encontrar.

Desde 2011, 89% dos 554 grandes armazéns construídos nos EUA têm tetos entre 28 e 36 pés (8 a 11 m) de altura, de acordo com a CBRE. Cerca de 9,4% destes armazéns tinham alturas de até 40 pés (12m).

“No momento, a comunidade do espaço industrial está nos dizendo em alto e bom som que em cinco anos eles vão precisar que esses espaços sejam grandes”, diz Egan.

Há outro requisito importante, ainda que mais sutil, para esses novos espaços nos armazéns: os pisos. Edifícios automatizados que abrigarão uma grande quantidade de tecnologia robótica terão pisos mais grossos – em alguns casos, entre 6 e 8 polegadas (15 a 20 cm) – com tolerâncias de piso maiores para comportar estas máquinas. 

“O tipo de materiais que precisam entrar nesses pisos são muito mais complexos do que simplesmente concreto”, diz Egan. “Acredite, esses pisos precisam ser consistentemente planos.” 

O impacto nos trabalhadores

Uma preocupação considerável sobre a incorporação da tecnologia de automação na cadeia logística é o impacto potencial que ela pode ter sobre os trabalhadores.

Grandes empresas como a Raymond Limited, especialista em têxteis indianos e a Foxconn Technology, um fornecedor chinês para grandes fabricantes de tecnologia como a Samsung e outros, substituíram (ou substituirão) 10.000 e 60.000 trabalhadores, respectivamente, ao automatizarem as suas fábricas.

Em 2025, estima-se que 45% de toda a fabricação será realizada por tecnologia robótica, de acordo com um relatório recente do Bank of America. Os custos médios de mão-de-obra de fabricação serão consideravelmente mais baixos nos principais mercados na mesma época, sendo 25% menores nos EUA, China e Japão.

“Não vai eliminar a necessidade de trabalho humano, mas certamente a mão-de-obra vai mudar para um perfil mais qualificado em muitos desses lugares”, diz Matthew Walaszek, analista sênior de pesquisa da CBRE. O paradoxo, diz Egan, é que conforme essas operações automatizadas – incluindo o transporte autônomo e a impressão 3-D – se tornam mais sofisticadas, elas exigem mais pessoas para supervisionar essa tecnologia.

“Algumas das tarefas que os robôs já estão fazendo e irão fazer são realmente as operações mais básicas. Qualquer coisa um pouco mais complexa ainda exige uma pessoa”, diz Egan.

A tecnologia da automação já está impactando a cadeia de suprimentos, embora o cronograma para sua implementação integral possa variar de país para país dependendo da adesão pública e da legislação apropriada.

“Essas tecnologias são muito boas e funcionam muito bem pelo que deverão vir a ser adotadas aqui nos EUA muito em breve“, diz Egan.

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